A preocupação em comunicar amplamente os resultados das pesquisas em serviços ecossistêmicos ocupa cada vez mais espaço nos principais fóruns de discussão da área. Este foi o recado central do evento científico da Ecosystem Services Partnership (ESP), entidade mais prestigiada do mundo neste tema. As formas de divulgar e, sobretudo, como sensibilizar tomadores e formuladores de política ainda é uma caminho a ser pavimentado. Brasil dará continuidade às discussões da ESP como sede do próximo encontro latino-americano da Rede.

Dezembro de 2017, Shenzhen, China. Mais de 300 especialistas em serviços ecossistêmicos no mundo se reuniam para discutir os principais avanços no campo. Tratava-se da Conferência bianual da rede ESP. A BPBES esteve representada pelas pesquisadoras Maíra Padgurschi (Unicamp) e Aliny Pires (UFRJ).

“A principal mensagem do encontro foi a necessidade de comunicação das pesquisas sobre serviços ecossistêmicos para a tomada de decisão. Daí a importância de que os pesquisadores desenvolvam estas habilidades, mas também invista em divulgação e popularização da ciência para comunicar o que está sendo produzido na academia e ter alcance em termos político almejado”, pontua Pires.

Aproximar os resultados da produção científica da tomada de decisão ainda é um caminho em construção. “Neste sentido o papel da BPBES é de fronteira. Embora a Plataforma Brasileira não tenha o papel de desenvolver novas pesquisas, especialmente no campo de ciência-política, ela atua na interface ciência-política, fazendo na prática o que se quer na teoria”.

A atuação da ESP aproxima-se da Plataforma Intergovernamental de Serviços Ecossistêmicos (IPBES) na medida em que ambas atuam no processo de subsidiar a tomada de decisão. Todavia, conforme explica Aliny Pires, “a linguagem da ESP é mais técnico-científica visando gerar informação para o diálogo com tomadores de decisão. A ESP preocupa-se em produzir protocolos, diagnósticos, mapeamentos de serviços ecossistêmicos, aplicações de técnicas de intervenção para potencializar serviços, etc”. Já a IPBES atua em outra esfera. Como órgão oficial da ONU, requer uma participação e comprometimento oficiais dos Estados membros. O foco central da IPBES é produzir material síntese focado para o tomador de decisão.

Ainda com a primazia europeia, a ESP busca progressivamente, fortalecer iniciativas locais, por meio de redes regionais, que alternam suas conferências, com as edições mundiais. A América Latina e Caribe caminham para seu segundo encontro e procuram reverter a sua participação ainda tímida na rede.

“É uma oportunidade de participar de uma rede de prestígio e esperamos atrair pessoas das mais diferentes formas de atuação e promover diálogo, troca de ideias, de iniciativas, parcerias entre os participantes” anuncia Padgurschi, uma das organizadoras do evento no país, que espera receber entre 250-300 participantes latino-americanos.

Com o tema “Global changes, Ecosystem Services and Multilateral Environment Agreements (MEAs)” a intenção da edição brasileira é colocar no foco da discussão o que os países da América Latina e Caribe estão fazendo (ou não), e também quais ferramentas e alternativas, para alcançar as metas de 4 grandes acordos: Convenção Diversidade Biológica (Metas de Aichi); Convenção de Mudanças Climáticas (Acordo de Paris); Protocolo de Sendai e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDGs).

O Encontro Latino Americano da ESP, ocorrerá entre 22 e 25 de outubro de 2018, no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas. Participam como organizadores a BPBES, Embrapa Solos, Programa Biota/Fapesp e Fundação Brasileira para Desenvolvimento Sustentável – FBDS.

Conheça a ESP

A Ecosystem Service Partnership  tem como objetivo melhorar a comunicação, a coordenação e a cooperação e construir uma forte rede de indivíduos e organizações.

A Rede foi criada em 2008 pelo Gund Institute for Ecological Economics (Universidade de Vermont, EUA) e agora está sendo coordenado pela Foundation for Sustainable Development (FSD) (Wageningen, Holanda). ESP é uma organização baseada em membros institucionais e individuais.

Desde 2016, a rede organiza conferências mundiais alternadas com regionais. A última Conferência Mundial ESP9 foi em Shenzhen, China, em 2017. Em 2016, a conferência latino-americana foi na Colômbia.

2018-02-22T15:06:23+00:00

Sobre o Autor:

Bióloga, doutora em Política Científica e Tecnológica (Unicamp), atua na área de planejamento e avaliação de CT&I, com ênfase em gestão de programas de pesquisa em biodiversidade. Estuda Jornalismo Científico e acredita que a informação e o diálogo (+ uma pitada de esperança) são o caminho das melhores escolhas.