Na terça-feira, 28 de abril, a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) realizou, na Unicamp, a primeira reunião de coordenação do novo Relatório Temático Cidades, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos no Brasil, iniciativa que busca reunir e sintetizar conhecimento científico, tradicional e indígena sobre o tema.
O relatório propõe uma leitura inovadora das cidades brasileiras não apenas como recortes territoriais, mas como sistemas dinâmicos de relações sociais, ecológicas e econômicas, alinhando-se a agendas internacionais como UN-Habitat (Cities and Climate Action) e iniciativas como CitiesWithNature.
Estruturado em seis capítulos, o documento parte da contextualização do papel das cidades e de sua trajetória histórica, avança para um diagnóstico atual baseado em evidências sobre o acesso da população à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos, e analisa tendências, vetores de mudança e trade-offs desde marcos como o Estatuto da Cidade. A partir daí, projeta cenários futuros até o fim do século e examina os arranjos de governança e instrumentos políticos necessários para orientar decisões públicas e privadas.
A urgência do tema decorre da centralidade crescente das cidades na crise climática e de biodiversidade, enquanto sua inovação reside na proposta de síntese integrada que articula conhecimento científico, tradicional e indígena, para apoiar tomadores de decisão na transformação dos espaços urbanos em vetores de sustentabilidade e bem-estar.
Estruturação
O encontro, que reuniu pesquisadores de diversos estados e instituições do Brasil, marcou uma etapa estratégica para o alinhamento inicial do trabalho, reunindo a coordenação geral do relatório – Dra. Tatiana Maria Cecy Gadda (UTFPR), Dra. Aliny Patricia Flauzino Pires (UERJ), Dr. Franco Leandro de Souza (UFMS) e Dr. Carlos Joly (Unicamp) – com os coordenadores de capítulos.
Coordenação reunida no encontro do novo Relatório Temático da BPBES:
Cidades, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos no Brasil – Unicamp, 28 de abril.
Da esquerda para direita (em pé): Franco Souza (UFMS), Jose Kos (UFSC), Mariana Vale (UFRJ), Claudio Szlafsztein (UFPA), Jennifer Viezzer (MMA), Ana Cardoso (UFPA), Carlos Joly (Unicamp), Tatiana Gadda (UTFPR), Pedro Jacobi (USP) e José Silva (UFCG). Agachados: Aliny Pires (UFRJ), Jean Ometto (INPE), Marina Dale (Unicamp), Cristiana Seixas (Unicamp) e Maria Carolina Maziviero (UFPR).
A reunião teve como foco a definição de bases conceituais e metodológicas que orientarão o desenvolvimento do documento, reforçando sua proposta interdisciplinar e seu compromisso com a produção de conhecimento cientificamente robusto e socialmente relevante. Durante o dia de evento, foram discutidas diretrizes, estrutura e encaminhamentos das próximas fases de elaboração.
A divisão dos subtemas abordados no relatório foi estruturada em seis capítulos – ainda com possibilidade de alterações:
Capítulo 1 – Sistemas urbanos, biodiversidade e contribuições da natureza para as pessoas.
Capítulo 2 – Interfaces entre biodiversidade e contribuições da natureza para as pessoas no processo de desenvolvimento e estabelecimento dos sistemas urbanos no Brasil.
Capítulo 3 – Relação atual entre as cidades, biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas no Brasil.
Capítulo 4 – Ameaças e oportunidades para a integração da biodiversidade e contribuições da natureza para as pessoas nas cidades brasileiras.
Capítulo 5 – Caminhos possíveis para os sistemas urbanos brasileiros: entre a oportunidade e o risco para a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas no Brasil.
Capítulo 6 – Estratégias de governança para os sistemas urbanos, biodiversidade e contribuições da natureza para as pessoas no Brasil.
O próximo passo será a definição da composição dos autores de cada capítulo, incluindo autores de notório saber acadêmico, tradicional e indígena, além dos jovens pesquisadores a serem selecionados.
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Imagem de capa: Lago das Rosas, em Goiânia – Jean Carlos Faleiro